quinta-feira, 5 de julho de 2018

CONTAG avalia Garantia Safra e propõe melhorias para o programa

FOTO: Adriana Fetzner
A CONTAG participou na última terça-feira (03) de audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal destinada a avaliar o Programa Garantia Safra em seus 16 anos de existência.  

Para a CONTAG, o programa têm atendido ao longo de quase duas décadas as necessidades de milhões de trabalhadores e trabalhadoras rurais do semiárido e áreas de atuação da Sudene, especialmente por ser objeto da Lei 10.420/2002, com recursos orçamentários garantidos. No entanto, a partir da análise dos avanços, dificuldades, desafios e potencialidades, a CONTAG acredita que há a necessidade de capacitar e formar conselheiros municipais com o objetivo de fortalecer o controle social do programa.

A CONTAG propôs ainda que haja a integração do público do Garantia Safra com outras políticas de convivência com o semiárido, como a construção de barragens subterrâneas, barragens calçadão, barraginhas, tanques de pedra, cisternas de placa e banco de sementes crioulas. Para garantir orçamento para a execução dessas propostas, a CONTAG sugeriu a utilização dos rendimentos do Fundo Garantia Safra, o que demandará a elaboração de um Projeto de Lei.

Outra proposição da CONTAG é a revisão da metodologia de apuração de perdas da safra, que ainda é muito burocrática. “Para nós foi uma boa surpresa a iniciativa de avaliação de um programa que tem efetivamente contribuído para a vida de agricultores e agricultoras familiares. É importante destacar que isso só é possível porque há recursos garantidos para sua execução – são R$ 468 milhões para a safra 2018/2019, destinados a 1.350.000 beneficiários”, afirma o Secretário de Política Agrícola da CONTAG, Antoninho Rovaris. 

“Mas o programa precisa de mudanças importantes, especialmente porque a formação de conselheiros municipais é uma demanda histórica da base e a CONTAG, por acreditar na necessidade de concretização disso, se propõe a contribuir no processo de avaliação e fortalecimento do programa, inclusive na elaboração dos projetos de leis necessários”, completa o dirigente.


Também participaram da audiência representantes da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário da Casa Civil (Sead), da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Fonte: CONTAG
Adaptado pelo STRAF - NOVA CRUZ/RN

LUTA DAS MULHERES RURAIS - Uma trajetória de resistência e avanços

FOTO: Comunicação CONTAG- César Ramos
As mulheres trabalhadoras rurais vêm construindo uma longa trajetória de resistência e de luta contra o machismo e todas as formas de violências. Uma luta histórica também travada no Sistema CONTAG, em busca da autonomia e do protagonismo das mulheres que fazem a nossa organização sindical e que trouxe importantes conquistas, como: o direito à previdência social rural, à sindicalização, o salário maternidade, a titulação conjunta da terra; as cotas e a paridade nos espaços de decisão dos Sindicatos, das Federações e da CONTAG.

Um caminhar da luta feminista que é um dos temas do 1º módulo do 3º Curso de Formação Política para as Mulheres, que vai até sexta-feira (06), no Centro de Formação da CONTAG – Brasília/DF. Oportunidade para as mais de cem educandas compartilharem suas experiências e também ouvirem as vivências da luta feminista compartilhada pelas companheiras Nalu Faria, coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres(MMM) e Joluzia Batista da Articulação de Mulheres do Brasil (AMB).
 
“A partir da compreensão da luta feminista ao longo da história do mundo, do Brasil, do Sistema CONTAG e dos movimentos sociais é que avançamos contra todos os retrocessos de direitos que estamos vivendo atualmente, e que prejudicam principalmente as mulheres. Nesse caminhar de resistência destacamos o papel e a importância da Marcha das Margaridas na vida de todas as mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades, como espaço imprescindível de afirmação da luta por desenvolvimento sustentável, democracia, políticas públicas e contra todas as formas de violências”, destaca a secretária de Mulheres da CONTAG, Mazé Morais.
Resgate histórico
No Sistema CONTAG, a partir da década de 80, as mulheres conquistaram visibilidade ao construírem articulações e organização próprias, com uma ampla agenda política voltada para a superação das discriminações e desigualdades, para a afirmação de sua identidade de trabalhadora rural, para os direitos sociais e pleno exercício de sua cidadania. A partir de então, as trabalhadoras rurais do movimento sindical do campo abraçaram o desafio de articular sua agenda específica com as lutas gerais, a exemplo da luta pela reforma agrária, acesso das mulheres à propriedade da terra, e luta pelos direitos sociais e previdência social.

Em sua trajetória sindical, as mulheres trabalhadoras ampliaram e fortaleceram as estratégias e formas organizativas e transformaram o perfil do sindicalismo rural brasileiro.
 

Debate proposto no Curso de Formação Política para as Mulheres

Confira a PROGRAMAÇÃO do 1º módulo Curso de Formação Política para as Mulheres: “Sociedade, patriarcado e a luta das mulheres”.

FONTE: Comunicação CONTAG- Barack Fernandes, com informações da Secretaria de Mulheres da CONTAG

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Reforma trabalhista retirou proteção laboral e previdenciária

Clemente Ganz, do Dieese: "A nova legislação deu segurança jurídica para empresas fazerem isso sem sindicatos pra fiscalizar".
Clemente Ganz, do Dieese: "A nova legislação deu segurança jurídica para empresas fazerem isso sem sindicatos pra fiscalizar".
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados promoveu nesta terça-feira (3) um seminário sobre os impactos da nova legislação trabalhista (Lei 13.467/17) no Brasil. 

Por Ruth de Souza
Entre os convidados estão a pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho - CESIT/UNICAMP, Marilane Teixeira, o representante da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Marcos V. Chiliatto, e o diretor técnico do DIEESE, Clemente Ganz Lúcio.     

"Os três temas usados pelo governo como marketing de divulgação da reforma - crescimento econômico, estabilidade jurídica na análise dos processos e crescimento de emprego - não aconteceram", disse o deputado Bohn Gass (PT-RS), um dos autores do requerimento para realização do evento.

Com quase oito meses de vigência da reforma, o que se observa é a frustração de todas as expectativas. De janeiro até maio deste ano, a informalidade (empregos sem registro) e a terceirização cresceram assustadoramente no país. Por outro lado, os postos de trabalho ofertados caracterizam-se por empregos precários e de baixa remuneração.

Desde a implantação da nova lei, que instituiu o negociado sobre o legislado, mais de 67 mil trabalhadores foram demitidos por acordo mútuo, sem homologação dos sindicatos, impedindo assim, a vigilância dessas organizações em relação a natureza das demissões . As novas regras acabaram com a obrigatoriedade de sindicatos ou o Ministério do Trabalho homologarem as rescisões de contrato de trabalho com mais de um ano.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) ainda apontam mais de 11 mil contratos de trabalho por tempo parcial e mais de 20 mil contratos de trabalho intermitente, o que ampliou o grau de vunerabilidade e insegurança entre a classe trabalhadora. De janeiro a maio deste ano os salários dos trabalhadores admitidos são inferiores a média os salários dos desligados.

Além disso, os empregos que estão sendo gerados no Brasil, mesmo os formais, com carteira assinada, são de baixo rendimento salarial, o que, segundo Marilane Teixeira, pode estar associado com esse tipo de contratação.

"A reforma trabalhista não foi capaz de estimular o processo de formalização do grande contingente de trabalhadores que se encontrava na informalidade desde o final de 2017. Os empregos gerados são predominantemente informais e as formas de contratação atípicas, que se concentram nos empregos mais precários e com baixa remuneração. A instabilidade e a insegurança causadas pela ausência de uma renda estável estimula, obviamente, a contenção no mercado de consumo, já preprimido pelo elevado desemprego", disse a pesquisadora.

Para ela, a mudança na lei, ao contrário do que se prometeu, deixou "o mercado de trabalho reprimido, com a capacidade de consumo reprimida, num conjunto de variáveis macroeconômicas bastante adversas, tornando maior a dificuldade de recuperação da atividade econômica".

Impactos na Previdência Social

De acordo Marcos Chiliatto, a mudança na legislação trabalhista diminuiu também a capacidade de o trabalhador pagar a Previdência Social.

"Toda reforma que reduz a formalidade e institui o trabalho intermitente impede o trabalhador de contribuir com a Previdência. No trabalho intermitente, o rendimento será variável e até inferior ao salário mínimo, ocasionando risco ao trabalhador de não conseguir contribuir todos os meses".

Para Chiliatto, o risco de o trabalhador (a) não conseguir se aposentar por tempo de contribuição no Brasil é cada vez maior, após a reforma.

Enfraquecimento dos sindicatos

Durante a sua exposição, Clemente Ganz Lúcio disse que a reforma trabalhista impactou negativamente todo o sistema de relações do Trabalho e os sindicatos foram duramente penalizados.

"Foram quase três centenas de alteração [na CLT] sem medir impactos".

Ganz Lúcio disse que a reforma quebrou o movimento sindical, deixando os trabalhadores sem proteção laboral e previdenciária.

"Direitos foram perdidos ou flexibilizados. A nova legislação deu segurança jurídica para empresas fazerem isso sem sindicatos pra fiscalizar".

Portal CTB

LEIAM NOVAMENTE! ‘Quem a polícia vai matar agora?’, pergunta filho de sem-terra morto em chacina de Pau D’Arco

Um ano depois do massacre de 10 trabalhadores rurais no Pará, ato em homenagem às vítimas revela abandono e trauma. Não se sabe quem são os mandantes do crime, famílias seguem sem indenização e assentamento não foi regularizado

Depois de participar da cerimônia para marcar um ano da morte de 10 trabalhadores rurais em Pau D’Arco, no Pará, a pequena Gabi, de 7 anos, lamenta que não poderia comemorar o seu aniversário. “Acho que nunca mais vou comer bolo”, disse. Ela faz anos no dia 24 de maio, data em que perdeu o pai, Ronaldo Pereira, o Lico.

Seu irmão, Davi, de 4 anos, se assusta ao escutar o barulho de uma ambulância na saída da cerimônia. Pensa que é uma viatura policial e pergunta: “Quem a polícia vai matar agora?”.

Há um ano, policiais civis e militares foram até a fazenda Santa Lúcia, com o argumento de estarem cumprindo mandados de prisão contra posseiros. Assassinaram 10 trabalhadores rurais sem-terra, entre eles o pai de Gabi e Davi.

Faz calor em Redenção, onde Lico e outras sete vítimas foram sepultados, distante 25 quilômetros de Pau D’Arco. Como é corriqueiro no Sul do Pará, a temperatura está acima de 30°C mesmo no outono. Passado um ano da maior chacina no campo desde 1996, algumas velas foram acesas no cemitério e os familiares se reúnem para homenagear os trabalhadores.

Em Pau D’Arco, onde duas vítimas estão sepultadas, uma singela homenagem também acontece no cemitério. O ato tem poucas pessoas. Em contraste à cobertura do enterro, dessa vez o jornalista da Repórter Brasil é o único membro da imprensa. Não há, tampouco, mausoléus. As covas são identificadas por uma cruz de madeira cravada na terra vermelha.
 
A sensação entre os sobreviventes e familiares das vítimas é de abandono. Não receberam indenizações do estado pelos parentes assassinados, não conseguiram ser assentados e os advogados que participam do caso recebem ameaças constantes.

Na última quinta-feira, a chacina executada por policiais militares e civis completou um ano sem que se conheça os mandantes do crime. O inquérito aponta para execução sumária das vítimas. Embora os policiais tenham alegado que teriam reagido a tiros, essa versão inicial foi contestada por dois policiais civis, por sobreviventes e pela perícia técnica.

A Polícia Federal é responsável pela investigação para encontrar os mandantes. Em 3 de maio, semanas antes do aniversário de um ano, foi realizada uma operação para apreender celulares e documentos de 11 pessoas suspeitas de terem conhecimento do plano para a chacina. Entre eles, três membros da família Babinski, proprietários da fazenda ocupada. Honorato Babinski Filho, Amanda Patrícia Resplande Babinski e Maria Inês Resplande de Carvalho tiveram documentos e celulares apreendidos pela Polícia Federal.

O então superintendente da Polícia Civil para o Sul do Pará, Antônio Gomes de Miranda Neto, o Miranda, e o ex-advogado da família Babinski, Ricardo Henrique Queiroz de Oliveira, também tiveram celulares e documentos apreendidos na mesma operação.

Procurado pela Repórter Brasil, o ex-advogado da família Babinski, Ricardo Oliveira, considerou desnecessária a ação da Polícia Federal: “Tanto eu quanto a família Babinski nos disponibilizamos para ajudar no que fosse preciso para descobrir a verdade. Nossos sigilos bancários e telefônicos já haviam sido quebrados. Nenhum indício foi verificado”. Ele afirma, porém, que não tem nenhuma participação no caso e diz que teve o celular apreendido apenas porque foi advogado dos Babinski no pedido de reintegração de posse. A atual advogada da família, Olga Moreira, não respondeu aos pedidos de entrevista.

Os onze policiais militares que participaram da ação foram indiciados pela Corregedoria da Polícia Militar e estão presos. O inquérito foi encaminhado para a Justiça Militar e o parecer do Ministério Público foi para o Tribunal do Júri, da Justiça Comum.

Movimentos sociais e trabalhadores rurais sem-terra fecharam em 21 de maio deste ano a BR 155, no Sul do Pará, para pedir a transferência do policial civil Miranda, que é investigado no caso e também teve o celular apreendido. Movimentos sociais, como a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadores da Agricultura Familiar do Sul do Pará, acusam o policial de perseguição.
Após a manifestação dos trabalhadores rurais, Miranda foi transferido para Superintendência Regional em Paragominas, no Norte paraense, de acordo com a Polícia Civil do Pará. A transferência, segundo afirma a assessoria de imprensa da corporação, não teve relação com a chacina de Pau D’Arco e nem com o protesto.
Rotina de conflitos e ameaças
A fazenda Santa Lúcia, local da chacina, voltou a ser ocupada e 190 famílias vivem lá aguardando a desapropriação do terreno. O advogado das vítimas e sobreviventes, José Vargas Júnior, explica que governo e os donos da fazenda chegaram a um acordo sobre o valor da desapropriação: R$ 22,7 milhões. No entanto, o acerto depende de aval do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o que ainda não aconteceu.

De acordo com o Incra, a fazenda Santa Lúcia é considerada produtiva e não pode ser desapropriada para reforma agrária. Porém, como os proprietários concordaram em negociar o terreno, o órgão está analisando a compra, ainda sem data para conclusão.

Há também um pedido de reintegração de posse concedido pela justiça aos proprietários. “A mesma questão que gerou a chacina permanece. Com essa sensação de permanente ameaça de que a qualquer momento a polícia pode tentar desocupar a fazenda”, afirma o advogado.
 
Após o massacre — considerado o maior desde 1996, quando foram assassinados 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás — o clima de tensão continua. Quarenta dias após a chacina, o líder do acampamento Santa Lúcia, Rosenildo Pereira, foi morto com três tiros na cabeça. “A nossa segurança é vulnerável, mas está indo. A segurança nossa é Deus”, afirma Manoel Gomes Pereira, atual liderança do acampamento. Três pessoas ligadas ao caso foram incluídas no Programa de Proteção de Vítimas e Testemunhas Ameaçadas de Morte, de acordo com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos.

“Alguns recebem uma ameaça maior, principalmente, os que se expõem mais”, afirma o advogado Vargas. Diante de ameaças, Vargas decidiu tirar sua família da cidade. Outro advogado, Rivelino Zarpellon, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Xinguara, já comunicou a Polícia Federal que também está sendo ameaçado. Zarpellon participou da delação dos dois policiais civis que estavam na na chacina. Em novembro, motoqueiros rondavam a sua casa. Por medida de proteção, ele chegou a sair do estado por 60 dias.

O Pará é o estado mais violento do país. Em 2017, ano mais violento no campo desde 2003, 71 lideranças foram assassinadas no Brasil segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Do total, 22 deles, ou um terço, foram assassinados no Pará.
Vítimas sem assistência
O advogado José Vargas Júnior entende que as vítimas estão expostas a uma violência que se perpetua. “Primeiro o massacre, depois a criminalização das vítimas dizendo que morreram em confronto, depois a entrega dos corpos em estado de decomposição e, agora, a falta de assistência às vítimas”, relata o advogado.

A mãe de duas vítimas, segundo Vargas Júnior, teve a depressão agravada, parou de reagir aos medicamentos e morreu antes de receber a indenização pelo assassinato dos filhos por agentes do estado. O advogado explica que a estratégia para conseguir as indenizações era um acordo com o governo do Pará. Foram realizadas reuniões com o governador, vice-governador e com representantes do governo. Mas, passado um ano, nada foi decidido.

Em nota, o governo paraense afirma que, para oferecer apoio às famílias, é preciso a conclusão do processo judicial. “Entretanto, de forma antecipada, o Estado do Pará e a Defensoria Pública do Estado vêm buscando instrumentos de conciliação para oferecer de forma mais rápida apoio às famílias envolvidas no caso, para que não fiquem desassistidas”, afirma o governo.

O advogado das famílias reclama que o governo posterga a decisão e não oferece apoio simples, como ajuda psicológica e cesta básica para as famílias que estão desassistidas.

Ele compara a morosidade do processo judicial com o caso  dos 19 trabalhadores sem-terra mortos em 1996 em Eldorado dos Carajás. “As famílias só receberam a indenização depois de 10 anos”, afirma Vargas.


Um dos sobreviventes do massacre, Bento Francisco de Oliveira, conseguiu escapar da chacina junto com a esposa, mesmo baleado na coxa esquerda. “A minha situação financeira está complicada. Minha perna sempre sangra e não tenho o controle dela”, diz. Ele lamenta não receber apoio do estado e afirma que as cenas do massacre ainda o perseguem nos sonhos. “Eu só queria minha saúde de volta e um pedaço de terra para poder trabalhar”.

Fonte: CONTAG

terça-feira, 3 de julho de 2018

NÃO À MP 842/2018 - “MP 842/2018 que prejudica agricultores(as) familiares que têm dívidas com o Pronaf NÃO PASSARÁ”, afirma presidente do Senado, em reunião com a CONTAG.

Em reunião na noite desta terça-feira (03), o presidente da CONTAG, Aristides Santos, pediu ao presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE), a retirada da Medida Provisória (MP) 842/2018 que prejudica agricultores e agricultoras familiares que têm dívidas com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Publicada no dia 25 de junho pelo governo de Michel Temer no Diário Oficial, a MP altera a Lei 13.340/2016 que trata da renegociação de dívidas rurais no âmbito de operações de crédito do Pronaf e revoga os artigos da Lei 13.606/2018 que permitiam descontos de até 95% de dívidas, abatimentos que seriam bancados pelo Tesouro Nacional. 

Em resposta, Eunício Oliveira, disse que acertou com os líderes que as condições aprovadas e convertidas na Lei 13.606/2018 não serão modificadas. O presidente do Senado ainda afirmou que não passará nada que prejudique os trabalhadores rurais agricultores familiares.
 
Ao final da reunião, Aristides, destacou: “Foi importante tratar diretamente com o presidente do Senado, sobre a MP 842/2018 que altera significativamente a Lei 13.606/2018 já apreciada pela Câmara e pelo Senado, e que agora o governo tenta alterar através de uma MP. Ao receber a CONTAG, Eunício Oliveira, valoriza os agricultores e agricultoras familiares”, afirmou Aristides.

Mesmo diante do compromisso assumido pelo presidente do Senado, a orientação da Diretoria da CONTAG é pela continuação das mobilizações e diálogos junto aos parlamentares (deputados federais e senadores) para que a MP 842/2018 seja votada e rejeitada imediatamente no Congresso Nacional.  

“Ainda no dia 11 de julho faremos uma reunião com deputados e senadores no sentido de barrar a MP. Aproveitamos para convidar representantes das nossas Federações para participarem dessa importante agenda de luta. Vamos juntos dizer: NÃO À MP 842/2018”, pontuou Aristides. 

Vale destacar que a reunião só foi possível devido o emprenho e articulação do deputado federal, José Guimarães (PT-CE). 
Leia na íntegra a MP 842/2018, a Lei 13.340/2016 e a Lei 13.606/2018.

Fonte: CONTAG

O papel das Políticas Públicas no desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário

Mais de 40 dirigentes e assessores sindicais participam até quinta-feira (05), no Centro de Estudo Sindical da CONTAG – CESIR, do Coletivo de Políticas Sociais da CONTAG, que tem como tema: “O papel das Políticas Públicas no desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário”. Uma oportunidade para analisar o atual cenário de retrocesso político que passa o Brasil, marcado pela truculência e exclusão de direitos nas áreas da Saúde e da Educação do Campo; da Previdência Social Rural; e da Proteção Infanto-juvenil.

“Compreendemos a luta ideológica e social que estamos travando no Brasil. Enquanto Coletivo de Políticas Sociais entendemos que todas as conquistas para o campo só foram e serão mantidas e alcançadas mediante nossa luta contínua pela garantia de investimentos públicos e justiça social às mulheres e homens do campo. Seguiremos em mobilização com a nossa base realizando grandes ações em defesa do nosso Projeto Político”, destacou a secretária de Políticas Sociais da CONTAG, Edjane Rodrigues, na abertura política do Coletivo que aconteceu na terça-feira (03 de julho).
ANÁLISE DE CONJUNTURA
Em uma breve análise de conjuntura, o presidente da CONTAG, Aristides Santos, pontuou: a eleição do primeiro presidente de esquerda do México, López Obrador; repudiou a forma como a pré-candidata do PCdoB, Manuela d’Ávilla (PCdoB-RS) foi atacada de forma machista durante a entrevista ao Roda Viva; denunciou a aprovação do Projeto de Lei 4576/16, que proíbe a comercialização de alimentos orgânicos em supermercados, mercearias, varejões e sacolões; destacou que o Sistema CONTAG deve se empenhar para eleger um Congresso Nacional que esteja alinhado com a pauta da Agricultura Familiar; denunciou a fragilidade do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje subordinado a uma decisão de um juiz de primeira instância que troca a lógica jurídica por uma particular convicção política, se referindo a prisão do ex-presidente Lula; abordou a constitucionalidade da Contribuição Sindical; e encerrou sua fala convidando todas e todas a combater a criminalização dos Movimentos Sociais e a lutar pela retomada da democracia no Brasil.
Também contribuíram com a mesa de abertura política do Coletivo, o vice-presidente e secretário de Relações Internacionais da CONTAG, Alberto Ercílio Broch, os secretários(as) de Finanças e Administração, Juraci Souto, de Formação e Organização Sindical, Carlo Augusto Silva (Guto); Secretaria Geral, Thaisa Daiane Silva; de Meio Ambiente, Rosmari Malheiros; e de Terceira Idade, Josefa Rita da Silva (Zefinha).


PROGRAMAÇÃO

Na pauta dos três dias, entram em debate: EDUCAÇÃO DO CAMPO (Escolas Famílias Agrícolas; Ações contra o fechamento de Escolas do Campo; Educação na Reforma Agrária –PRONERA e Licenciamento em Educação do Campo; Fortalecimento da Rede MSTTR de Educação do Campo; Estratégia de Implementação de Ações de Estudos do Campo no MSTTR; Construção da Cartilha: Educação do Campo e Agricultura Familiar; e Avaliação do encontro dos 20 anos do Pronera e da Educação do Campo. SAÚDE DO CAMPO (Debate sobre hanseníase, sintomas e tratamento; Plano de Trabalho e Acordo de Cooperação entre a CONTAG e  o Ministério da Saúde; SUSTENTABILIDADE POLÍTICO-FINANCEIRA DO MSTTR (INSS Digital e CNIS Rural); PREVIDÊNCIA SOCIAL RURAL (Reforma da Previdência Rural); e PROTEÇÃO INFANTO-JUVENIL (Conferência Nacional do Direito da Criança e do Adolescente). 

Fonte: CONTAG

domingo, 1 de julho de 2018

Renúncia fiscal com agrotóxicos é de R$ 9 bilhões no Brasil, segundo o TCU

notice

Foto EMPRAPA AGROPECUÁRIA OESTE

Escrito por: Cida de Oliveira/ RBA

Valor estimado deixou de ser arrecadado entre 2010 e 2017 com alíquota zero de Cofins e PIS/Pasep, tributos importantes para a seguridade social, que incluem saúde, educação e assistência social.

O Brasil deixou de arrecadar R$ 9 bilhões no período de 2010 a 2017 somente com a isenção fiscal da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do PIS/Pasep para o setor de agrotóxicos. Esses tributos têm papel relevante para subsidiar a seguridade social, que inclui as áreas de saúde, educação e assistência social.

O dado consta de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), para avaliar a preparação do governo brasileiro para implementar e monitorar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Agenda 2030. Trata-se de compromisso assumido pelo Brasil com a Organização das Nações Unidas (ONU) para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, dentro dos limites do planeta.
TCU
Os dados são incompletos. Trata-se de estimativas calculadas a partir das informações disponíveis. Além disso, não contemplam o Imposto de Importação (II) e nem o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), já que as desonerações desses produtos não configuram gasto tributário. E o cálculo não abrange a redução na base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), por ser um tributo estadual.
TCU
Para os auditores, as desonerações não são acompanhadas nem avaliadas pelo governo federal "devido às falhas de governança" e são concedidas independentemente de seu nível de toxicidade à saúde e de periculosidade ambiental.

"O dado é a ponta do iceberg. Só no estado de São Paulo, o governo abriu mão de R$ 1,2 bilhão em 2015. Então, para chegar mais perto da realidade, a estimativa do TCU deveria ser multiplicada pelo menos por três, já que há outros grandes consumidores estaduais, como Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Além disso, agrotóxicos são considerados insumos agrícolas e, nessa condição, a despesa é abatida integralmente na declaração de rendimentos do imposto de renda pessoa física (IRPF) e pessoa jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)", disse o defensor público Marcelo Novaes, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em Santo André, no ABC paulista, e integrante do Fórum Paulista de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos.

"Importante lembrar que além da carga de tributos federais baixíssima, é enorme a desoneração de ICMS. Uma perda tributária absurda em razão da integral dedutibilidade nos impostos sobre a renda. Uma desoneração sem nenhuma seletividade. Produtos mais perigosos à saúde têm tratamento tributário idêntico ao menos agressivo."

Alckmin abre mão de R$ 1,2 bilhão por ano para incentivar uso de agrotóxicos

Os R$ 9 bilhões estimados da renúncia fiscal correspondem à receita que municípios como Macaé (RJ) levam quatro anos para arrecadar. Com 244 mil habitantes, tem em seu território empresas da cadeia do petróleo. O montante é suficiente para adquirir 130 mil unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em Curitiba.

Pacote do Veneno

A concessão de benefícios tributários à indústria dos agrotóxicos foi um dos principais temas discutidos em seminário realizado ao longo desta sexta-feira (29) no Sindicato dos Químicos de São Paulo. Realizado pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, o encontro integra a agenda de fortalecimento da articulação dos movimentos sociais para a resistência ao avanço de políticas que pretendem ampliar o uso de agrotóxicos no país.

Na última segunda-feira (25), o Pacote do Veneno foi aprovado em comissão especial da Câmara. Agora está nas mãos do presidente da casa, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que deverá estudar o momento mais estratégico para colocar em votação.

"Vivemos uma conjuntura difícil, e os trabalhadores são a parte mais frágil, os que vão sofrer mais com mais agrotóxicos. Aqueles que vivem na cidade e, principalmente, os que vivem no meio rural. Vamos fortalecer a nossa rede", disse a agrônoma Carla Bueno, da coordenação da Campanha Permanente.
O apoio ao Projeto de Lei 6.670/2016, que estabelece a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pnara), é outra frente de combate ao avanço Pacote do Veneno. A comissão especial já está instalada. O presidente é o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) e o relator, Nilto Tatto (PT-SP). 


Participaram ainda da mesa de debates Kelli Mafort, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), a pesquisadora e professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Larissa Mies Bombardi, autora do atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, e Susana Prizendt, coordenadora da campanha contra os agrotóxicos no estado de São Paulo. Na plateia, estiveram agricultores, ativistas, estudantes, cozinheiros, professores e parlamentares.