O SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS, AGRICULTORES E AGRICULTORAS FAMILIARES DE NOVA CRUZ/RN, FUNDADO EM 01/05/1961,TEM COMO OBJETIVO A LUTA NA DEFESA DOS DIREITOS DOS MESMOS POR MAIS TERRA E INCENTIVO A AGRICULTURA FAMILIAR!
domingo, 5 de maio de 2019
sábado, 4 de maio de 2019
Contag denuncia impactos da reforma da Previdência na área rural

Escrito por: Redação RBA
Trabalhadores rurais estão entre os principais afetados pela PEC 6/2019 e também pela MP 871/2019, que excluirá milhões da cobertura previdenciária e levará à falência milhares de municípios brasileiros.
“A proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo (PEC nº 06/2019 e Medida Provisória n.º 871/2019) afeta duramente os trabalhadores e trabalhadoras rurais e tem o viés de excluir a maioria desses segurados do sistema de proteção social vigente.” A denúncia é da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), em artigo publicado em 29 de abril, no Valor.
No texto, o presidente da entidade, Aristides Santos, e a secretária de Políticas Sociais, Edjane Rodrigues, lembram que estudos feitos com base no Censo Agropecuário apontam que a renda monetária líquida anual da agricultura familiar é muito baixa.
“Em 61% dos estabelecimentos agropecuários, caracterizados como agricultura familiar, a renda monetária líquida anual identificada foi em valor inferior a R$ 1.500, sendo que em aproximadamente 50% dos estabelecimentos essa mesma renda não chega a R$ 300 ano. Isso demonstra que a maioria dos agricultores familiares, denominados segurados especiais, não tem capacidade de contribuir com regularidade para a Previdência”, informa o artigo.
A Contag questiona a proposta do governo Jair Bolsonaro, de instituir uma contribuição anual fixada, inicialmente, em R$ 600 por grupo familiar. “Desde a Lei Complementar nº 11/71 e mesmo após a Constituição de 1988, os trabalhadores rurais que exercem a atividade agropecuária por contra própria têm acesso à proteção previdenciária mediante a comprovação do trabalho rural, e participam do custeio mediante a aplicação de uma alíquota de 1,5% incidente sobre a venda da produção rural.”
A razão para isso, explicam os agricultores, deve-se ao fato de a produção de alimentos ser atividade de alto risco, “sendo comum o agricultor familiar perder a produção devido a situações de emergência ou de calamidade, como secas, excesso de chuva, ataque de pragas na lavoura, ou ainda ter de vender o produto rural por um preço que não paga o custo de produção por não dispor de sistemas de armazenagem”.
O artigo critica, ainda, a elevação do período de carência para a aposentadoria por idade para um mínimo de 20 anos de contribuição, que deixará enorme contingente de segurados rurais longe do acesso ao benefício, especialmente os rurais que vendem sua força de trabalho a terceiros. “De acordo com a Pnad/IBGE (2015), dentre os 4 milhões de assalariados rurais, aproximadamente 60% trabalham na informalidade... Exigir desses trabalhadores 20 anos de contribuição para acesso à aposentadoria significa excluí-los desse direito protetivo, não só pela informalidade das relações de trabalho, mas também pela dificuldade que terão para manter-se executando um trabalho penoso e exaustivo por período superior a 40 anos.”
A reforma tem também aspectos nocivos para as trabalhadoras rurais: a elevação de 55 anos para 60 anos para ter direito à aposentadoria, diante da penosidade do trabalho e o início precoce da atividade laboral. Sete em cada 10 mulheres do campos começaram a trabalhar antes de completar 15 anos de idade.
“Isso significa, pelas regras atuais, que a aposentadoria no valor de um salário mínimo é acessada após longos e exaustivos 40 anos de trabalho rural. Ao elevar a idade de aposentadoria para 60 anos, as trabalhadoras rurais que conseguirem ter acesso a tal direito terão cumprido 45 anos de trabalho penoso, em dupla ou tripla jornada, muitas vezes sem finais semana, feriados e férias para descansar, pois o labor rural não permite.”
Exclusão, pobreza e êxodo rural
Para os representantes da Contag, a Medida Provisória 871/2019 afeta a Previdência rural e aumenta a exclusão, diante da intenção do governo de, a partir de 2020, reconhecer direitos apenas dos trabalhadores rurais segurados especiais que estiverem cadastrados e com informações atualizadas no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS-Rural).
“Tais medidas dificultarão o acesso aos benefícios previdenciários rurais, tendo em vista que a maioria dos segurados especiais não tem informações cadastrais atualizadas nas bases de dados do governo. Tampouco os segurados conseguirão comprovar o recolhimento de contribuição previdenciária devido à dificuldade que enfrentam para formalizar a venda da produção rural.”
Se as propostas do governo passarem, avaliam os agricultores, “além da exclusão de milhões de trabalhadores e trabalhadoras rurais da proteção previdenciária, haverá aumento da pobreza no campo, saídas em massa de pessoas do campo para a cidade, podendo ainda comprometer a segurança alimentar da população brasileira já que o benefício previdenciário é um estímulo para que os agricultores familiares mantenham-se no campo e na produção de alimentos – o que reduzirá a quantidade produzida e o consequente aumento dos preços, gerando inflação”.
E isso não afetará apenas os trabalhadores rurais, mas a economia de pequenos e médios municípios, dada a importância que os benefícios previdenciários rurais têm no PIB per capita dessas cidades, afirmam os dirigentes da Contag.
Economia - A destruição como tática de uma estratégia
O que pretende o governo Bolsonaro? Porque é "conservador nos costumes e liberal na economia"? São mesmo um bando do boçais governando o Brasil?
Por Altair Freitas*
O bolsonarismo é uma força destrutiva. Reparem que, em quatro meses de governo, todas as iniciativas fundamentais dele e seus ministros são para destruir, desmontar, desqualificar, serviços públicos, direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, a educação pública, a cultura, as históricas posições da diplomacia brasileira no campo externo, e tudo o mais relacionado às regulamentações que o Estado Nacional estabeleceu sobre o capital privado visando diminuir ao menos um pouco sua natural selvageria e anseio pelo lucro fácil a qualquer preço. E vem muito mais por aí, caso sigam governando.
Porque a destruição de quase tudo é o caminho que vem sendo usado pelo grande capital financeiro para garantir que os Estados Nacionais garantam a transferência de riqueza e renda das massas populares para o sistema financeiro de modo estrutural e permanente. Se vocês prestarem atenção, boa parte dos países hoje encontram-se com elevados padrões de endividamento com bancos, financeiras em geral, em suma, com o setor privado, com grande conglomerados capitalistas. Tais dívidas são, de modo muito amplo, resultado da salvação que os Estados Nacionais fizeram ao próprio capital financeiro à beira do colapso desde a deflagração da chamada "crise das hipotecas" nos EUA, que se espalhou pela Europa e depois varreu ventos aqui pela América Latina. No caso europeu, boa parte das dívidas são com o Banco Central Europeu, que injetou centenas de bilhões de Euros nos países para que eles pudessem salvar seus bancos e financeiras. Em países como o Brasil, os governos contraíram empréstimos diversos - internos ou externo - com financiadores privados em troca da garantia de boas remunerações na forma de juros elevados. Num ou noutro caso, o cerne da questão está no endividamento dos Estados Nacionais.
Vejamos alguns dados do tamanho da dívida pública em relação ao PIB:
Itália = 131% do PIB; Grécia = 176% do PIB, EUA = 105% do PIB; Japão = 200% do PIB;
França = 100% do PIB; Espanha = 98% do PIB; Argentina = 65% do PIB; Brasil = 78%do PIB.
Reparem, portanto, que o grande capital financeiro precisa garantir que os países mantenham um permanente fluxo de remuneração, através dos orçamentos estatais, para a sua sobrevivência. O problema é que, para garantir isso, os países precisam cortar pesadamente os investimentos e gastos com programas, serviços e leis que garantam à massa trabalhadora históricos direitos por ela conquistados à custa de muitas lutas, rebeliões, revoluções e eleições. O problema é agravado pelo baixo crescimento econômico registrado no mundo capitalista há uma década, especialmente no âmbito da produção efetiva de bens de capital (máquinas e equipamentos) e bens de consumo, configurando um longo período de estagnação econômica.
Com a crise do capitalismo deflagrada em 2007/2008, esgotaram-se saídas no âmbito da chamada "democracia ocidental", com as alternâncias de poder entre setores do centro e da dita "esquerda" (a velha social democracia reformista, não revolucionária, adepta de pequenas alterações no capitalismo para deixá-lo mais "humano" ou menos selvagem, como preferem alguns). Uma década depois, INCLUSIVE NO BRASIL, a questão financeira e econômica não foi resolvida a contento e as forças do capital financeiro decidiram dar um basta. É preciso garantir que o capitalismo seguirá dominando sob o comando do sistema financeiro. Custe o que custar, doa a quem doer.
Na Europa entre as décadas de 20 e 30, a saída encontrada pela grande burguesia em vários países foi a utilização de forças políticas autoritárias, violentas, demagógicas, patrocinadas diretamente pelos grandes conglomerados privados para buscar solucionar a crise do pós 1ª Guerra Mundial e da hecatombe da Quebra da Bolsa de Nova York em 1929 (ela mesma um efeito do pós guerra), que resultaram no fenômeno do nazifascismo liderados por gente como Benito Mussolini, Hitler, Franco (Espanha), Salazar (Portugal), e outros menos cotados. Essas forças foram financiadas para que, no poder, garantissem aos grandes conglomerados, a manutenção dos seus negócios, ameaçados à época pelo avanço do movimento operário de cunho socialista. Deu no que deu!
Na Europa de hoje - em vários países - nos EUA de Trump, no Brasil de Bolsonaro e em várias outras nações, o cenário é muito parecido: forças políticas autoritárias galgaram chegar ao poder para destruir as estruturas que garantiam um pingo de Bem Estar Social ao povo, para transferir riquezas ao grande capital. E qual a tática de luta, quais os mecanismos para obterem apoio buscar varrer com as forças de centro-esquerda (que efetivamente não deram conta de solucionar a contento a crise do capitalismo, insisto nesse tema)? A pauta moral, a grita contra a modernização de práticas sociais ultrapassadas, o ataque ao avanço das lutas das mulheres (anti-feminismo), o racismo explícito contra negros, asiáticos, indígenas, o posicionamento contrário aos direitos civis de gays, lesbiscas e transgêneros, a disseminação de ideias absolutamente irracionais, anticientíficas, mentiras absurdas (criacionismo, Terra Plana, "marxismo cultural" dominando o mundo, etc).
E porque se utilizam desses instrumentos? Porque ainda é forte a presença de setores sociais que são contra mudanças, especialmente aqueles que são diretamente influenciados pelo catolicismo conservador e pelas igrejas evangélicas que pregam que a única verdade possível está no texto bíblico, a partir de interpretações reacionárias (ou "fundamentalistas" como dizem alguns) dos livros que compõem a Bíblia. É uma herança profunda do medievalismo europeu e, mais recentemente, do avanço da propaganda sionista que vem financiando igrejas neopentecostais que se especializam em difundir uma interpretação literal do chamado "Velho Testamento" hebraico, com suas guerras "santas" e perseguições aos fiéis de outras crenças. Essas igrejas têm promovido uma ampla propaganda de Israel, país acossado pelas demandas legítimas do povo palestino, fenômeno muito nítido no Brasil, nos últimos anos. Basta ver o volume de excursões a Israel para promover batismos coletivos no rio Jordão (Bolsonaro foi batizado lá pela Assembléia de Deus), ou mesmo o ícone mor desse movimento, que foi a construção do "Templo de Salomão", pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, em São Paulo. Macedo, aliás, tornou-se uma espécie de rabino, rezando cultos com vestes hebraicas.
Agregue a isso, especialmente na Europa e nos EUA, o problema com as ondas imigratórias oriundas de países asiáticos, africanos e latino-americanos, que pressionam as estruturas locais no quesito emprego, massas humanas que abandonam seus países devastados pela crise geral que se espalha por vastas regiões. Crises essas, de modo muito geral, decorrência não apenas da atual onda predatória que varreu o capitalismo desde 2007/2008, mas também mais estruturais que remontam ao colonialismo europeu do século XIX e que durou até pelo menos os anos 70 do século XX.
Aqui no Brasil, portanto, o bolsonarismo não está descolado dessa onda e seus principais líderes expressam essas ideias retrógradas e ganharam muita força entre setores grandes da população, geralmente os mais retrógrados (a turma "conservadora nos costumes"), somados ao desalento da depressão econômica que atingiu o país a partir de 2013/2014 que, ao lado de intensa desmoralização do petismo e da esquerda em geral, atacada como corrupta e responsável exclusiva pela crise econômica do país.. A pauta “conservadora” uniu-se à desestabilização econômica gerada pela própria crise do capitalismo e pela crise política deflagrada ao final de 2014 com a recusa do PSDB em aceitar a derrota eleitoral para Dilma Roussef. De lá para cá, há uma espécie de avalanche reacionária, facilmente identificada nas ondas do tipo “escola sem partido” e nos recentes ataques explícitos do governo a professores em geral e às áreas das ciências sociais, anúncio de cortes brutais de verbas para as universidades federais, vistas como antros de “balburdia e gente pelada”.
Longe de serem "boçais", "bobos", "ignorantes" e "idiotas", as declarações, gestos, simbolismos e práticas de governos do bolsonarismo no poder, expressam um programa político muito bem alinhavado. Suas declarações, que nos parecem insanas, cheias de ignorância e mentiras, são, na verdade, uma esperta tática de distração por um lado e de mobilização, por outro, da sua base social atrasada, contra quaisquer ideias progressistas, tidas como manifestações de “comunismo” e outras bobagens do tipo. Mas são bobagens eficientes. São bobagens que ajudam a pavimentar uma rodovia ultra autoritária, regressiva e repressiva, para evitar que os setores sociais que se opõem ao desmonte do Estado Nacional e ao fim dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários lutem para barrar esses retrocessos que servem ao grande capital financeiro. São "bobagens" aos nossos olhos, mas absolutas verdades aos olhos do bolsonarismo e do ultra-conservadorismo alimentado pelo neo pentecostalismo. O irônico nessa coisa toda, é que a maior parte da base social do bolsonarismo é composta por trabalhadores (as), gente humilde, e uma pequena burguesia ("classe média") bem intencionada mas profundamente afetada pela crise do capitalismo, manipulada por espertalhões de todo tipo, que vão de pastores milionários aos ideólogos do atual governo. Se prevalecerem as principais ações do governo Bolsonaro como a reforma da previdência, ampla privatização dos serviços e empresas publicas, ampliação da reforma trabalhista, completa desregulamentação das legislações protecionistas, etc, esses serão os setores mais afetados. Mas terão o consolo de estarem a serviço da "vontade de Deus" graças à imposição a ferro e fogo da agenda ultra conservadora nos costumes. Caso efetivamente consigam impô-las.
É de fundamental importância que as forças progressistas e os demais setores amplos, democráticos, que se opõem à avalanche liberal-reacionária, se levantem, se organizem, se unam e barrem esse enorme desmonte e retrocesso em curso. É preciso preservar a democracia. É preciso evitar que décadas de avanços tímidos no mundo do trabalho e dos direitos sociais sejam reduzidos a pó. É preciso lutar. E vencer!
*Altair Freitas é professor e secretário executivo da Escola Nacional de Formação do PCdoB.
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Origem da ideia bestial de Bolsonaro para o campo
Ao promover a violência, o presidente da República reproduz o comportamento que vem das Capitanias Hereditárias.
Por Osvaldo Bertolino
Como se não bastasse a barbárie do “pacote anticrime” do ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, uma verdadeira licença para matar, agora o presidente Jair Bolsonaro anuncia sua intenção de legalizar matanças no campo. Ele disse que vai enviar ao Congresso Nacional um Projeto de Lei que isenta de punição o ruralista que atirar contra “invasores de terras”, para “ajudar a combater a violência no campo”. "A propriedade privada é sagrada e ponto final", afirmou.
Esse conceito de propriedade é um bom ponto de partida para se entender a ideologia que move atitudes tresloucadas como essa de Bolsonaro. As liberdades políticas conforme enunciadas na doutrina francesa dos Direitos Humanos, de 1789, constituem uma hierarquia de direitos. Há muitos outros direitos associados ao da propriedade. Ou seja: alguém só pode defender o direito à propriedade se possuir propriedade. Conclui-se que sem a sua democratização esse direito se torna vazio e faccioso.
Cada um dos outros direitos não deve ser compreendido como subserviente ao direito à propriedade. Um exemplo é o Artigo 184 da Constituição do Brasil determinando que a União desapropriará, por interesse público, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não cumpra sua função social. A afronta a essa premissa é uma abdicação da civilização e um jogo contra as regras democráticas, uma manifestação explícita de opção pela barbárie.
Dívida social
A lei por aqui sempre esteve a serviço de quem detém o poder econômico. O Brasil é ainda o país da tortura medieval e dos assassinatos impunes para quem não tem onde se socorrer. Como resultado, está disseminada pela sociedade a noção de que a lei não é igual para todos, de que a Justiça não é justa. Esse comportamento explica por que o Brasil é um país com um vergonhoso histórico de sangue inocente derramado no campo.
Essa violência está associada à dívida social que o país acumulou com o seu povo, sequela da escravidão e de outras modalidades de servidão adotadas nas Capitanias Hereditárias pelos donatários de dom João I, mantidas por gerações de sucessores. São os mesmos ideais desde que o Tratado de Tordesilhas, de 1494, reconheceu a posse da coroa portuguesa sobre larga porção da América recém-descoberta, com seus direitos reconhecidos pela vizinha e poderosa Castela.
A maior obra do El-Rei dom Manuel foi realizada três décadas depois pelo filho João, que repartiu todas as terras que lhe couberam na partilha do Ocidente entre súditos fiéis. Por esse plano, a metrópole doou 3 milhões de quilômetros quadrados a quinze particulares e forjou um país de relações sociais complexas. Por extensão, o que foi incorporado a oeste do meridiano primevo também foi registrado em nome de particulares, numa operação de grilagem sem paralelo.
Imigração forçada
A imensa maioria do solo brasileiro tem dono desde o descobrimento — ao contrário dos Estados Unidos, por exemplo, onde o Estado detém 60% das terras próprias para agricultura e as aluga em contratos de longo prazo. E isso traduz uma realidade contemporânea de tremendas injustiças no Brasil. Apesar da modernização tecnológica, ainda é muito presente nas relações sociais a prática do senhor-de-engenho, personagem inscrito na memória nacional pelas gravuras de Jean Baptiste Debret e pelas páginas de José Lins do Rego.
Prevalece a ideia dos escravistas, que resolveram o problema da falta de trabalhadores promovendo uma imigração forçada como mão-de-obra barata. Somente alguns trabalhadores puderam ter a própria terra, mas bem longe de onde o país estava estabelecido — primeiro no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, depois desbravando matas no norte, noroeste e oeste do Paraná. A abolição da escravatura não eliminou a estrutura oligárquica. Os coronéis ainda hoje estão representados em todas as esferas da política nacional e seus jagunços continuam atirando a esmo em trabalhadores que lutam por um pedaço de chão.
Nos anos 1970 e 1980, a ditadura militar empurrou muitas vítimas da concentração de terra para a Amazônia. Muitos dos que foram para lá acabaram constatando logo que aquele solo não se presta à agricultura e passaram a sobreviver do extrativismo predatório da floresta, derrubando árvores milenares para garantir pequenas plantações ou ganhando uma mixaria para jogar mercúrio no rio atrás de minerais preciosos. Se juntaram aos trabalhadores locais, gente paupérrima que profana a floresta para ter o que comer.
Exercício aritmético
A questão nacional e a questão agrária estão intimamente relacionadas — há entre elas uma relação constante de causa e efeito. O latifúndio e o grande capital sempre andaram de mãos dadas na história da República. E não é difícil observar que da Independência aos nossos dias não se operou transformação substancial nos quadros político e social no Brasil. Por vários motivos peculiares ao desenvolvimento histórico brasileiro, a posse da terra ainda é fator determinante para a existência de relações pré-capitalistas no campo.
A barbárie proposta por Bolsonaro reproduz a ideologia desse setor do país de costas para o povo, um clube privado que se imagina mais capaz, mais limpo, gente melhor do que os seres considerados primitivos por serem descendentes de negros e índios. Esse pensamento ficou bem demonstrado quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou o estudo "Estatísticas do século XX". O jornal O Estado de S. Paulo publicou em manchete: "O Brasil no século XX: um país 100 vezes mais rico".
Era mais um engodo, facilmente desmascarado por um elementar exercício aritmético, que explica por que o Brasil é um país tão desigual e opressor. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de fato, de 1901 a 2000, cresceu 100 vezes. Mas a população também cresceu 9,45 vezes, e a parcela do PIB a que cada brasileiro teoricamente tem direito aumentou 11,2 vezes. Na melhor das hipóteses, os brasileiros ficaram 11 vezes menos pobres.
Sustento no campo
Com essa estrutura social historicamente separada por dois extremos, chega-se facilmente à conclusão de que quem de fato enriqueceu foi uma elite minúscula, que, por meio de seu imenso poder político, conseguiu defender sua posse quase total do bolo nacional. Esse setor nunca aceitou de bom grado qualquer iniciativa capaz de modernizar as relações sociais, um comportamento bem visível na atualidades com as ideias de “reformas” trabalhista e previdenciária.
São dados que explicam por que as organizações populares que lutam pela democratização da posse da terra são alvos de bestialidades como essa anunciada por Bolsonaro. A proposta é de acrescentar balas aos impropérios e insultos, levar à prática a campanha de criminalização dos movimentos sociais. É a resposta da ideologia das Capitanias Hereditárias às organizações que lutam pela democracia no campo, que conseguiram firmar sua ideia entre as prioridades nacionais, mostrando a razão dos brasileiros que buscam o seu sustento no campo.
Com informações de vermelho.org.br
Projeto de Flávio Bolsonaro quer acabar com reservas de áreas nativas em propriedades rurais
Como justificativa Flávio Bolsonaro e Márcio Bittar, que também assina a proposta, dizem que o Brasil "é o país que mais preserva sua vegetação nativa e o produtor rural é personagem central desta preservação, ao bancar do próprio bolso a conservação de um quarto do território nacional"
Reportagem de Alex Tajra, no Portal Uol nesta quinta-feira (2), informa que um projeto de lei elaborado pelos senadores Márcio Bittar (MDB) e Flávio Bolsonaro (PSL) quer revogar todas as normas referentes à proteção de vegetação nativa das propriedades rurais.
Os parlamentares argumentam que é preciso abdicar da proteção da vegetação nativa para “garantir o direito constitucional de propriedade”. Legalmente, a reserva é a área do imóvel rural onde é proibido o desmatamento e permitido somente o “uso sustentável dos recursos naturais”.
O Código Florestal estabelece percentuais mínimos de preservação, que chega a 80% de preservação da área na Amazônia, porcentual que na maioria do país é de apenas 20%.
Como justificativas para a proposta, os senadores dizem que o Brasil “é um dos (países) que mais preservam sua vegetação no mundo”. “Não é demais reafirmar que o Brasil é o país que mais preserva sua vegetação nativa e o produtor rural é personagem central desta preservação, ao bancar do próprio bolso a conservação de um quarto do território nacional”, relatam os senadores.
Com informações de revistaforum.com.br
quinta-feira, 2 de maio de 2019
3ª CAVALGADA PROMOVIDA PELO STRAF - NOVA CRUZ/RN - 2ª PARTE - SORTEIOS E RETROSPECTIVA
Edmilson Gomes da Silva, presidente do STRAF entrega junto a Drª Marione brindes sorteados/as
Drª Marione entregando brinde a sorteado
Negão/STRAF e Marione entregando brindes a sorteados
Lideranças sindicais entregando juntos brinde ao sorteado/associado
Navegantes, representando a CTB/RN entrega brinde sorteado a associado
Navegantes e "Negão" entrega brinde sorteado ao associado
As "musas" da cavalgada
Inicio da 3ª Cavalgada promovida pelo STRAF de Nova Cruz/RN
Padre, AERTON após as bençãos
Prefeito de Nova Cruz/RN, FLÁVIO NOGUEIRA prestigiando e saudando todos/as agricultores/as e cavalgadores/as
Daniele, tesoureira do STRAF de Nova Cruz, clicando e registrando presenças de autoridades
Saída com sucesso da 3ª Cavalgada
Dr. MARCOS AO LADO LÍDERES SINDICAIS
Grandes líderes sindicais prestigiando a cavalgada, que terminou com uma feijoada ao som de muito forró e caipirinha na Comunidade do Sítio Conceição
Drª MARIONE ao lado das musas do STRAF, além de musas, grandes profissionais
Preparação para saída com destino a Comunidade do Sítio Conceição
Parte da equipe que proporcionou o sucesso do café e evidentemente o sucesso da cavalgada
Retrospectiva de ontem (1) da III Cavalgada do Agricultor promovida pelo STRAF de Nova Cruz, alcançando seus objetivos: A presença do HOMEM DO CAMPO!
Um dos pontos fundamentais da cavalgada foi nos discursos dos líderes sindicais presentes no momento social na Comunidade do Sítio Conceição, onde todos/as foram unanimes em afirmarem que a "reforma da previdência" tira sim Direitos dos Trabalhadores, principalmente dos que menos ganham e ampliam o tempo para aposentadoria tanto para o homem como para as mulheres. O vereador, Mateus Catolé também se presente a cavalgada, inclusive indo até o trecho final, que era a Comunidade do Sítio Conceição.
O presidente do STRAF, Edmilson Gomes da Silva - "Negão" foi firme em suas declarações, propondo a união de todos para juntar-se a luta nacional pela manutenção de direitos adquiridos com muito suor e luta. Negão também aproveitou o momento para dizer a todas as MARGARIDAS (mulheres) presentes que o STRAF e as lideranças presentes estão se unindo a Marcha das Margaridas, que ocorrerá em Brasília em meados de agosto. Confirmou também que a FETARN enviará 22 ônibus para Brasília e o STRAF enviará um (1) ônibus, que será cedido pela prefeitura. E no final conclamou a todos/as se unirem pelo fortalecimento da luta, só assim garantirá a manutenção dos direitos.
No final o mesmo agradeceu as presenças de todos/as.
O evento terminou com uma feijoada ao som de muito forró.
quarta-feira, 1 de maio de 2019
3ª CAVALGADA DO AGRICULTOR FOI UM SUCESSO!!! PARTE I
III CAVALGADA RUMO A COMUNIDADE DO SÍTIO CONCEIÇÃO
Assessor de Comunicação do STRAF de Nova Cruz, Eduardo Vasconcelos no CLIC dos melhores momentos da CAVALGADA
Linda cavalgada!
Dr. Marcos George - Assessor Jurídico da FETARN presente a 3ª Cavalgada
Líderes sindicais - juntas estarão na MARCHA DAS MARGARIDAS em agosto - Brasília: Daniele - Tesoureira do STRAF de Nova Cruz, Gabriela, Secretária da Mulher - FETARN e Divina - Secretária de Comunicação da FETARN
Dr. MARCOS GEORGE e Drª MARIONE
Hoje (01) de maio dia alusivo ao DIA DO TRABALHADOR em Nova Cruz já virou tradição! Pois o STRAF (Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares de Nova Cruz, Rio Grande do Norte promove CAVALGADA DO AGRICULTOR desde de 2017 e já entrou no calendário de grandes eventos voltado para o trabalhador. Sem falar que também é uma data importante para o STRAF, pois se comemora os 58 anos de fundação do sindicato!
Após o café reforçado aos participantes da residência da Drª Veterinária, Marione, que em seguida o Padre AERTON, pároco de Nova Cruz concedeu as bençãos aos participantes. Após as bençãos iniciou-se a cavalgada rumo a comunidade de Conceição, passando pelo Assentamento José Rodrigues Sobrinho.
Chegando na comunidade do Conceição centenas de agricultores/as e convidados esperam ansiosos pela cavalgada. Ouve discursos das autoridades presentes e da própria representação da comunidade, em seguida foi servido uma feijoada ao som de forró pé de serra.
Várias líderanças prestigiaram o evento, entre elas estavam Marcos George, Divina e Gabriela, todos da FETARN, Prefeito de Nova Cruz, Flávio Nogueira, Secretários Municipais, Gerson Vitor, Venceslau Bráz, entre outros.Os vereadores Mateus Catolé, Patricia, entre outros. A líder sindical, Navegantes do Sindicato das Costureiras do RN, representando a CTB/RN, presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos, Janaína, Damião Gomes da Silva, presidente do Conselho Municipal do Desenvolvimento Sustentável de Nova Cruz, entre outras. Além é claro de Edmilson Gomes da Silva, presidente do STRAF.
Obs. Na II etapa desta matéria falaremos mais dos acontecimentos da cavalgada e divulgaremos mais nomes que estiveram presentes.
Assinar:
Postagens (Atom)

























