segunda-feira, 20 de maio de 2019

Governo quer economizar 870 bilhões atacando aposentado que ganha até 2 salários

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Escrito por: Luiz Cláudio Canuto, Câmara dos Deputados

Em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, o exemplo do Chile foi citado como fracasso do modelo de capitalização.

Debatedores criticaram números da reforma da Previdência e modelo de capitalização proposto (PEC 6/19), mas Ministério da Economia defende que leitura é equivocada e que economia prevista precisa ser feita pelo governo. 

Em audiência pública realizada na última quinta-feira (16) na Comissão de Seguridade Social, a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, afirmou que a reforma da Previdência foi proposta para resolver uma falsa crise provocada pelo Banco Central, que promove despesas com juros.

Ela explica que desde 1995 o Brasil produziu R$ 1 trilhão em superávit primário. Apesar disso, a dívida interna subiu de R$ 86 bilhões para quase R$ 4 trilhões. A atual crise, segundo Fattorelli, foi fabricada pelo custo da política monetária. Para ela, a economia de 1 trilhão de reais pretendida pela reforma da Previdência é apenas um valor que deixará de ser pago em aposentadorias, a maior parte (cerca de R$ 870 bilhões) do regime geral da Previdência, no qual 9 entre 10 aposentados recebem até 2 salários mínimos.

"Essa reforma não é para combater privilégios. R$ 870 bilhões vão sair dos mais pobres, do Regime Geral da Previdência. Os outros 20% que se pretende economizar vão sair de servidores públicos porque ele pretende aumentar a alíquota”, alertou.

Fattorelli acredita que ao tirar R$ 1 trilhão de nossa economia, o atual governo vai aprofundar a crise. “O objetivo da reforma é introduzir a capitalização que está dando errado no mundo inteiro", completou.

Representante da Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), Floriano Martins de Sá Neto ressaltou que o Brasil tem 13 milhões de desempregados e conta com 37 milhões de trabalhadores na informalidade, que não contribuem para o sistema. Uma reforma tributária, segundo ele, corrigiria essas distorções do regime.

Capitalização

Um sistema previdenciário com capitalização forma um caixa para cada contribuinte, a fim de financiar a aposentadoria no futuro. O sistema é criticado também pelo professor de direito previdenciário Ivan Kertzman. Ele afirma que o sistema previdenciário deve ser “solidário, não solitário”. O Chile foi citado como exemplo de país onde o regime de capitalização não funcionou. 

Floriano Martins de Sá Neto afirmou ainda que o custo da transição entre o sistema solidário e o de capitalização vai na contramão da redução de gastos. No Chile, segundo o auditor, a transição teria custado 136% do PIB, após 34 anos de reforma.

Mas o secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim, discorda, afirmando que problemas enfrentados pelo Chile estão sendo ajustados.

“O Chile se deslocou da América Latina, tendo a previdência como motor do seu desenvolvimento. Não foi o único motivo, mas foi o motor do desenvolvimento do Chile, porque gerou poupança privada. Essa poupança privada fez gerar investimentos, reduzir juros, gerar empregos e o país cresceu”, enumerou.

Rolim destacou ainda que o Chile tem hoje o dobro da renda per capita do Brasil. “Quando criou a capitalização, era mais ou menos igual, talvez até um pouco menos do que a do Brasil", informou.

Desconstitucionalização

A presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público da Bahia, Janina Schwenk, critica a desconstitucionalização promovida pela reforma. O texto retira da Constituição a previsão do reajuste do valor real dos benefícios.

Janina defende que mudanças na Constituição precisam respeitar os princípios dos constituintes originários. As regras de base da Previdência, segundo ela, não podem ser modificadas por uma Lei Complementar. "Pensamos que essa retirada de direito, que é uma garantia porque a Previdência é um direito social, constitui cláusula pétrea”, argumtou.

O deputado Eduardo Costa (PTB-PR), que presidiu a audiência pública, afirma que a Comissão de Seguridade Social vai continuar debatendo a Reforma da Previdência em reuniões futuras.

Fonte: Central Única dos Trabalhadores - CUT

Adaptado pelo STRAF DE NOVA CRUZ/RN, 20/05/2019.

Economia - Para socorrer farra financeira, governo zera verbas de 11 ministérios

 

Cortes atingem áreas sociais prioritárias.  


Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o governo zerou verba de 140 projetos em 11 ministérios. Segundo um levantamento do jornal, os bloqueios anunciados pelo governo federal, que congelou todo o Orçamento previsto neste ano para políticas em áreas sensíveis, como contenção de cheias e inundações, prevenção de uso de drogas, assistência à agricultura familiar e revitalização de bacias hidrográficas na região do São Francisco.

Sem poder cortar as despesas obrigatórias, como salários e aposentadorias, e com a "reforma" da Previdência tramitando lentamente, a guilhotina do governo para fechar a conta de pagamentos da farra financeira — o famigerado "ajuste fiscal" — teve de avançar sobre diversas políticas públicas. Estudo da Associação Contas Abertas feito a pedido do Estadão mostra que cerca de 140 ações orçamentárias em 11 ministérios estão com 100% de seus recursos bloqueados, a maioria delas na área de infraestrutura.

Fonte: Portal Vermelho com a Folha de São Paulo.

Nem na ditadura houve tantos ataques à ciência

 

Diretor do Sesc, Danilo Santos de Miranda, afirma que discurso da gestão Bolsonaro é o mais agressivo que já viu contra Sistema S.


Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Danilo Santos de Miranda, diretor-geral do Sesc São Paulo, diz que no governo Bolsonaro há uma grave incompreensão do papel da cultura para o desenvolvimento do país. Dos 76 anos de vida completados em abril, ele passou 51 trabalhando no Sesc São Paulo, 35 deles como diretor-geral, informa a apresentação da entrevista. 

Ao longo desse meio século, conta que diferentes governos já quiseram interferir na administração do Sistema S, que envolve ainda instituições como Senai, Senac e Sebrae. Na gestão de Jair Bolsonaro (PSL), no entanto, afirma que esse discurso é “mais agressivo” e que nunca viu algo parecido, nem durante a ditadura militar.

Financiadas por taxas compulsórias cobradas na folha de pagamento das empresas, as instituições do Sistema S tiveram em 2018 um orçamento de R$ 17,1 bilhões, no qual Paulo Guedes, ministro da Economia, afirmou que pretende “meter a faca”. O argumento é o de que há irregularidades, desvios e pouca transparência na gestão desses recursos.

O jornal diz que na unidade de 34 mil m² de Guarulhos, inaugurada na semana passada, o diretor falou à Folha sobre as acusações do ministro e defendeu que, se houver mudança na forma de financiamento, as instituições S tendem a acabar.

Como avalia esses 35 anos à frente do Sesc SP? 

Do ponto de vista material, foram mais de 20 unidades novas espalhadas pelo estado, desde a Pompeia, em 1987, até a de Guarulhos, agora. Mas o que mais me deixa contente é o conceito da proposta da instituição, que se consolidou. Uma maneira de trabalhar centrada na educação complementar, que diz respeito à cultura, ao lazer, a atividades físicas. 
Temos com tanta clareza os objetivos educativos da instituição, que me causa muito espanto o fato de o Sesc e das outras instituições do Sistema S serem colocadas na berlinda como se fossem supérfluas, sem vínculo com a necessidade da população.

E por que o sr. acha que estão sendo colocadas na berlinda? 

Porque dispõem de muitos recursos provenientes da arrecadação compulsória, e isso desperta interesses. Se levarmos em conta cargos, posições, capacidade de amealhar recursos e poder de realizar ações, tudo isso desperta em muita gente o desejo de ter participação na administração. 

Além disso, como há um vínculo com o poder público —e é para haver mesmo—, com facilidade se entende que o poder público teria que ter uma presença maior. 
Nós temos um DNA claro sobre o que fazer, para quem fazer, quem paga e como deve ser governado. Outro elemento do DNA é o controle do poder público. Uma parte das pessoas do poder público nega todos os elementos anteriores do DNA e considera apenas o último, o controle do Estado, como se o Sistema S fosse parte do Estado. E uma das essências é que essas instituições não são parte do Estado. 

A Constituição e a Justiça já estabeleceram isso, mas não é aceito porque desperta interesse. E como essas instituições têm problemas —e certamente os têm, porque a estrutura é muito grande—, colocam essas questões como paradigmas de todos, como se todos agissem de maneira irregular, quando isso é uma exceção da exceção. Que tem que ser resolvida, é óbvio, mas não ser tratada dessa forma inadequada.

Como a Constituição e a Justiça deixam clara a forma como o Sistema S deve operar?  

A Constituição, no artigo 240, diz que a folha de pagamento não pode ser usada para pagamentos de tributos, impostos etc., exceto para as instituições criadas no âmbito da legislação que gerou o Sistema S, mantidas pelas empresas, administradas pelas entidades sindicais patronais e destinada aos trabalhadores.

Existe decisão do Supremo Tribunal Federal, de 2014, que estabelece que essas instituições são garantidas pela Constituição e que a contribuição não pode ser alterada.

Casos de irregularidades que o sr. chamou de exceção não apontam para uma necessidade de haver mais transparência no Sistema S? 

No site do Sesc damos conta em grande parte de tudo o que fazemos. E há várias instâncias de controle, desde a auditoria interna em cada regional até o conselho fiscal nacional que tem sete membros, do quais 4 são do governo, 1 dos trabalhadores e 2 do empresariado. Também temos o controle da CGU [Controladoria Geral da União] e do Tribunal de Contas. 

São poucas as instituições com tanto controle, mas mesmo assim há casos pontuais de normas que não são cumpridas. Os mecanismos para resolver isso são variados. 

No caso do Sesc, há intervenções nacionais nas administrações regionais. 

O sr. já havia ouvido alguém dizer que pretende “meter a faca” nos recursos, como afirmou Paulo Guedes? 

Não falando desse jeito tão agressivo, mas já tentaram fazer isso outras vezes. Primeiro em razão da falta de entendimento do que fazemos. Muitas vezes se imagina que todos os S são destinados à formação profissional. É um entendimento reduzido. É verdade que existem atividades destinadas a isso, provenientes da necessidade brasileira de educação e de educação profissional. 

Mas uma outra parte é destinada a um programa amplo de bem-estar social, de qualidade de vida, de valorização do trabalhador, não no trabalho apenas, mas na vida. 

Desde que estou no Sesc, há 51 anos, vi momentos em que parte do poder público pretende de alguma forma ter uma ingerência nessas entidades. Já aconteceu outras vezes de acharem que tudo deve ser destinado à formação profissional, achando que todo programa voltado para lazer, atividade física e cultura é supérfluo. É recorrente essa visão de que, se não tiver economia forte para dar emprego e produzir riqueza, o país não tem saída, que a saída é só por essa porta. É um entendimento equivocado. 

A escola de Chicago [linha de pensamento liberal] diz que não tem almoço grátis. Insisto em dizer que, se não houver educação e cultura, não vai ter nem almoço. 

É uma visão parcial essa de que emprego é tudo. É essencial, mas para isso precisa ter educação, gente com condição de ser empregada. Em muitos casos há emprego, mas não tem gente preparada para ocupá-lo. Por isso vi as entidades sendo questionadas e o desejo de enquadrá-las numa perspectiva economicista precária. Independentemente dos partidos, direita e esquerda.

Esse governo tem demonstrado que não endossa a ideia de que a cultura pode ser uma ferramenta para a educação. 

Sim, e essa é uma visão equivocada. A gente tem que entender que, quando falamos de cultura, existe um mal-entendido geral, se pensa que é apenas aquilo que os artistas fazem. 

O artista passa a ser uma pessoa que, por ter posições às vezes contrárias ao que está sendo proposto, tem que ser banida, tudo o que faz tem que ser esquecido, largado e não tem que ter apoio. A cultura é muito mais do que isso. Diz respeito a todo o universo em que estamos inseridos, à língua que falamos, ao nosso pensamento. 

Por isso, parece esquisita essa ideia de o governo não querer desenvolver cursos de filosofia e sociologia. É a cultura no sentido da criação humana que procuramos desenvolver em nossos projetos. Dela fazem parte a atividade física, a alimentação e a arte, que trabalha com a sublimação, o abstrato, a capacidade de imaginar, sonhar, crescer e se desenvolver. Melhora a capacidade de entender a si mesmo, o outro e o mundo. 

Lutar contra o mundo das artes achando que isso vai ser bom para o país pode ser muito perigoso, um tiro no pé.

Essa dificuldade de entender o papel da cultura é mais grave nesse governo do que em outros? 

Sem dúvida. A maneira como veem o aparato cultural brasileiro, as universidades, o pensamento, a forma como lidam com os intelectuais, como tratam tudo isso como se fosse descartável, isso me preocupa. 

Nunca vi nada parecido, mesmo no período da ditadura militar, em que houve censura, questões gravíssimas, violência etc. Mas nunca uma ação deliberada contra o pensamento, contra a expressão artística. Já houve muitos problemas, claro, mas agora parece que está indo na essência, um pouco mais profundo.

E a sociologia e a filosofia, nas quais o governo disse que investirá menos, são a sua formação...

Felizmente sou muito bem-sucedido com a minha formação. Fiz filosofia e ciências sociais e as considero indispensáveis para entender a realidade em um sentido mais profundo. 

Espero que os profissionais ligados a essas áreas tenham a oportunidade de expressar o seu pensamento, de colaborar com a sociedade na reflexão. A filosofia, a sociologia, a antropologia, achar que tudo isso é contra o interesse da sociedade está errado. É a favor. 

Somos o único animal que pensa, então temos que pensar. Há posições variadas do ponto de vista ideológico, mas não é razão para dizer que isso tem que ser abandonado. Isso é muito perigoso.

Há uma crítica recorrente à produção cultural no Brasil de que é muito dependente de recursos do Estado e que deveria recorrer mais a patrocínio privado. Funcionaria para o Sistema S? Seria uma saída para um corte de verba? 

Acho difícil, porque essas entidades foram desenhadas de forma clara e têm tido um resultado prático muito positivo e reconhecido no Brasil e no exterior. É um DNA feito com vários elementos, qualquer um deles que vier a faltar compromete o resultado. 

Há tudo definido: objetivo, clientela, como é paga a conta, governança de caráter privado com supervisão de caráter público. Mexer nisso significa tirar a essência. 

Se dissessem que temos que buscar recursos na sociedade com patrocínio ou com a clientela, isso significa mexer na governança e na clientela. E essas instituições, algumas criadas há mais de 70 anos, têm um caráter inovador na responsabilidade social das empresas. 

Hoje, cada empresa faz a sua colaboração social com sua instituição diferente. O Sistema S é uma maneira socializada de fazer isso, é um projeto social que não é feito em nome de uma empresa isolada, mas de todas. Se acabar a contribuição compulsória, acaba a instituição. Se entregar para o governo, incorpora no mecanismo público, e a instituição como ela é acaba.

Fonte: Portal Vermelho

Fórum Sindical: O fantasma do desemprego volta a assombrar o Brasil

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasil
Na edição desta semana do programa Fórum Sindical, Conceição de Maria e Valdik Oliveira, do SindipetroNF, analisam os números alarmantes do desemprego no Brasil, as consequências do trabalho informal e falam sobre a importância dos sindicatos para os trabalhadores; assista.
mais recente estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o desemprego aumentou mais um vez no último trimestre, atingindo 12,7%, uma alta de 10,2% com relação ao trimestre encerrado em dezembro. Ao todo, 13,4 milhões de brasileiros procuraram emprego no período.
A taxa de subutilização da força de trabalho bateu recorde histórico, chegando a 25% da população economicamente ativa. Isso significa que 28,3 milhões de brasileiros não trabalharam ou trabalharam menos do que gostariam no período.
É o maior índice desde o início da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) Contínua, iniciada em 2012. Na comparação com o trimestre encerrado em dezembro, houve alta de 5,6%, ou 1,5 milhão de pessoas.

Os números alarmantes foram o tema do programa Fórum Sindical desta semana. Com mediação do jornalista Ivan Longo, Conceição de Maria e Valdik Oliveira, do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF), analisaram os motivos que levaram o Brasil a ser assombrado novamente pelo desemprego, as consquências da reforma trabalhista e do aumento da informalidade e falaram sobre a importância dos sindicatos para os trabalhadores.
Revista Fórum

domingo, 19 de maio de 2019

AGRICULTURA FAMILIAR - Brasil se prepara para participar da próxima REAF Regional

FOTO: Luiz Vicente Facco
Com a chegada da Reunião Especializada da Agricultura Familiar (REAF) Regional, o Brasil já reúne seus movimentos sociais, instâncias do governo e demais entidades integrantes da REAF local para a realização de sua 53ª Seção Nacional. Neste momento, essas representações se reúnem para articular a participação do Brasil na REAF Mercosul, e debater as propostas e contribuições que o país vai levar para a discussão no âmbito da América do Sul.

O encontro acontece na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Brasília, que atua na Reunião por meio de sua Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo. Outras instâncias do governo, como o Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty), também integram a REAF Brasil pelo governo federal.

Já entre as representações da sociedade civil que atuam da REAF, e participam deste encontro, está a CONTAG, a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), o Conselho Nacional das Populações Extrativistas, o Movimento de Mulheres Cafeicultoras, entre outras. 

Participam também a Secretaria Técnica da REAF, FAO Brasil (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e Instituto Intramericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). As três entidades, representadas por Lautaro Viscay, Gustavo Chianka e Caio Rocha, respectivamente, abriram o evento na manhã desta quinta-feira (16).

Década da Agricultura Familiar

Um dos temas mais fortes desta Reunião foi a Década da Agricultura Familiar (2019-2028), que pauta toda a REAF e está próxima de ter seu Plano de Ação lançado oficialmente em Roma, ao final de maio. Serão 10 anos decisivos para impulsionar a agricultura familiar em todo o mundo, como uma das estratégias para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

A Década foi tema da exposição feita pelo representante da FAO no Brasil Gustavo Chianka, que abriu seu discurso com um histórico das campanhas onde a agricultura familiar foi celebrada na ONU, desde o Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF), em 2014 até a Década. Chianka lembrou sobre as estruturas criadas na época da AIAF que permanecem atuantes até hoje. “Criamos uma série de comitês locais, regionais, mundiais e também o Fórum Rural Mundial, articulações que atuam na execução das estratégias estabelecidas para promover o potencial da agricultura familiar em todo o mundo. Esses Comitês continuam ativos, e vão ser muito importantes para o prosseguimento das pautas na Década da Agricultura Familiar”.

Ele ressaltou que a Década se faz muito estratégica agora, por se tratar de um tema que dialoga diretamente com alguns dos ODS da ONU, como o objetivo 1, de Erradicação da Pobreza, o 2, de erradicação da fome, e o 8, Trabalho Decente e Crescimento Econômico.

Já o papel da América do Sul no debate mundial foi exposto pelo secretário técnico da REAF, Lautaro Viscay, que pontuou que o espaço político criado pela REAF Mercosul é hoje uma referência para outras regiões do mundo. “A REAF conseguiu inspirar e construir inteligência institucional, ao estabelecer diálogos muito qualificados sobre políticas públicas que se refletiram de fato nas políticas dos países da região. O bloco Mercosul está sendo olhado no mundo todo, e devemos estar orgulhosos dessa capacidade de produção não só de alimentos, mas também de ideias”.

Viscay destacou o Brasil como país fundamental para os debates do Mercosul e estimulou as organizações presentes a continuarem trabalhando em prol de construir mais propostas e políticas que levem em conta aspectos como a bioeconomia a sociobiodiversidade e direitos humanos no campo.
Movimentos sociais comprometidos

Representando os movimentos sociais presentes, a CONTAG, representada por seu secretário de Política Agrícola, Antoninho Rovaris, também fez uma fala na abertura da Reunião, onde reafirmou o seu compromisso de atuar firmemente na REAF e abordou as expectativas do trabalho do governo federal frente as propostas colocadas.

“A CONTAG compreende o cenário político e econômico que obriga os governos a instituírem ajustes fiscais, porém, reafirma que os governos precisam, diante desta conjuntura, respeitar e valorizar a REAF por ser a fonte de elaboração de ideais e soluções para os problemas presentes que temos; avançar na implementação de soluções, programas e políticas públicas que venham atender as demandas dos agricultores familiares, promover o desenvolvimento sustentável trazendo paz nos territórios rurais e dignidade para as famílias que ali vivem e trabalham produzindo alimentos para as nossas populações”, declarou Rovaris.

Quanto às expectativas sobre a atuação do governo, ele completou: “Estamos confiantes que a REAF, sobre a coordenação da ministra Tereza Cristina, será fortalecida e, numa governança responsável e democrática, dará as condições necessárias para que esse espaço de diálogo seja frutífero, produtivo e com uma agenda de trabalho compartilhada com as organizações dos agricultores familiares brasileiros. Que o Brasil siga sendo protagonista nas apresentações de propostas e recomendações de políticas na REAF Regional”.

FONTE: Correspondente da COPROFAM - Gabriella Avila

VÍDEO DE CHAMADA DA MARCHA DAS MARGARIDAS 2019

MARCHA DAS MARGARIDAS DO ESTADO DO PIAUÍ