domingo, 9 de junho de 2019

STRAF DE NOVA CRUZ/RN ADERE A GREVE GERAL DIA 14 DE JUNHO!!!


O STRAF de Nova Cruz/RN aderiu a Greve Geral prevista para a próxima quarta-feira (14), juntando se assim as centrais sindicais CTB - CUT -CONLUTAS - INTERSINDICAL - FORÇA SINDICAL - UGT, entre outras entidades de classe por entender que se faz necessário o BRASIL pará diante do descaso do desgoverno bolsonaro, que tenta de todas as formas aprovar uma reforma previdenciária que atropela os direitos dos trabalhadores/as adquerido com muita luta e determinação.  Como também tenta impor uma outra reforma que a trabalhista, cujo objetivo é um só, enfraquecer os sindicatos de lutas e com isso avançar na tirada de direitos trabalhistas.

Por isso o STRAF conclama todos os seus associados a se engajarem nesta luta e mostrar ao desgoverno bolsonaro que o povo estar organizado e vai lutar até o fim na garantia de mais direitos e não perda de direitos.

Portanto, será dia 14 de junho e o STRAF disponibilizará transporte para levar seus associados a Natal e juntando-se aos demais trabalhadores potiguares em Natal em ATO na Defesa da Previdência e Contra as Reformas da Previdência e Trabalhista.

Edmilson Gomes da Silva (Negão), presidente do STRAF de Nova Cruz/RN.

Juntos seremos mais fortes! FORTALEÇA SEU SINDICATO, SINDICALIZE-SE!

MOVIMENTOS CONCLAMAM POVO BRASILEIRO À GREVE GERAL DE 14 DE JUNHO

Mídia Ninja | ABr | Reuters
Quarenta entidades e movimentos populares e sindicais divulgaram a Carta Terra, Território, Diversidade e Lutas., onde conclamam o povo brasileiro a participar das próximas grandes mobilizações populares, entre elas a Greve Geral de 14 de junho e da Marcha das Margaridas, em 13 e 14 de agosto.
Rede Brasil Atual - As quarenta entidades e movimentos populares e sindicais reunidos desde quinta-feira (6) em seminário na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP), divulgaram hoje (8) a Carta Terra, Território, Diversidade e Lutas. No documento, os participantes conclamam o povo brasileiro a participar das próximas grandes mobilizações populares, entre elas a Greve Geral de 14 de junho e da Marcha das Margaridas, em 13 e 14 de agosto.
Dirigida ao povo brasileiro, a carta destaca o aumento do desemprego, diminuição dos salários, retirada de direitos trabalhistas, precarização do trabalho, aumento do trabalho escravo, corte de políticas de proteção social e de renda mínima como o bolsa família, paralisação dos programas de moradia, de defesa dos direitos das mulheres e da juventude, cortes na educação pública e brutal ataque à previdência social como principais consequências socioeconômicas da agenda ultraliberal retomada no governo de Michel Temer (MDB) e fortalecida por Jair Bolsonaro (PSL).
E apela para a união contra o desmonte das instituições e da legislação de direitos humanos, ambiental, fundiária, e de soberania e segurança alimentar, por meio do fechamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Trabalho e da Cultura, a reformulação da Secretaria de Aquicultura e Pesca, além do sucateamento do Incra, Funai, Ibama, ICMBio, Fundação Palmares e a extinção dos conselhos de participação social, a exemplo do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais.
Lembra ainda que tais ações resultam no aumento do desmatamento, do ritmo de exploração dos bens naturais, da liberação e uso de agrotóxicos, da violência contra as mulheres (aumento do feminicídio) e contra a população LGBT, do genocídio da juventude negra e da violência no campo.
"Ao mesmo tempo, resulta também no fim das ações de reforma agrária, de demarcação de territórios indígenas, de titulação de territórios quilombolas, de reconhecimento de terras tradicionalmente ocupadas, na reconcentração de terras, legalização da grilagem, redução de áreas protegidas, recategorização de áreas de conservação fragilizando a proteção ambiental, retirada de direitos das pescadoras e pescadores artesanais, além da destruição de políticas públicas destinadas aos povos do campo, águas e florestas", segue o documento.
Confira a íntegra da Carta:
Carta Terra, Território, Diversidade e Lutas
Ao povo brasileiro,
Nós, movimentos populares e sindicais do campo, águas e florestas, trabalhadores e trabalhadoras rurais, pesquisadores e pesquisadoras, organizações não governamentais, ambientalistas, representantes de governos progressistas, lideranças partidárias e parlamentares, reunidos entre os dias 06 e 08 de junho de 2019, na Escola Nacional Florestan Fernandes (Guararema, São Paulo), considerando os desafios atuais denunciamos que:
Estamos em tempos de crise do capitalismo, o que resulta no aumento das desigualdades, injustiças, exclusões e violência contra os povos. A fúria insana do capital em busca de sua manutenção aprofunda a exploração e eleva o desemprego dos trabalhadores e trabalhadoras, assalta os recursos públicos e os bens da natureza;
Isto vem sendo feito com a destruição de direitos, retrocesso de conquistas populares do último século e a privatização e destruição dos bens comuns da natureza. O capital se apropria ilegítima e ilegalmente das terras, água, biodiversidade, minérios, petróleo e outras fontes de energia, resultando inclusive em crimes socioambientais como os cometidos pela Vale em Mariana e Brumadinho;
Para implementar a agenda ultraliberal, o capital financeiro e a classe dominante, entreguista e antinacional, impediram a participação de Lula no processo eleitoral e atuaram para eleger o governo Bolsonaro, manipulando a vontade popular por diversos meios, especialmente a disseminação de fake news e a pauta de ódio. Os interesses antinacionais, privatistas e a favor dos Estados Unidos ficam evidentes na entrega da Base de Alcântara, da Embraer, do Pré-Sal e da Amazônia, e nas ameaças de venda do Banco do Brasil, Correios, CaixaEconômica Federal, subsidiarias da Petrobrás, entre outras empresas públicas;
As principais consequências socioeconômicas da agenda ultraliberal são: aumento do desemprego, diminuição dos salários, retirada de direitos trabalhistas, precarização do trabalho, aumento do trabalho escravo, corte de políticas de proteção social e de renda mínima como o bolsa família, paralisação dos programas de moradia, de defesa dos direitos das mulheres e da juventude, cortes na educação pública e brutal ataque à previdência social;
Atendendo os interesses do agronegócio, os governos Temer e Bolsonaro promovem o desmonte das instituições e da legislação de direitos humanos, ambiental, fundiária, e de soberania e segurança alimentar, como o fechamento do MDA, Ministérios do Trabalho e da Cultura, a reformulação da Secretaria de Aquicultura e Pesca, o sucateamento do INCRA, FUNAI, IBAMA, ICMBio, Fundação Palmares e a extinção dos conselhos de participação social, a exemplo do CONSEA, CONDRAF, Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais;
Isso resulta no aumento do desmatamento, do ritmo de exploração dos bens naturais, da liberação e uso de agrotóxicos, da violência contra as mulheres (aumento do feminicídio) e contra a população LGBT, do genocídio da juventude negra e da violência no campo. Ao mesmo tempo, resulta também no fim das ações de reforma agrária, de demarcação de territórios indígenas, de titulação de territórios quilombolas, de reconhecimento de terras tradicionalmente ocupadas, na reconcentração de terras, legalização da grilagem, redução de áreas protegidas, recategorização de áreas de conservação fragilizando a proteção ambiental, retirada de direitos das pescadoras e pescadores artesanais, além da destruição de políticas públicas destinadas aos povos do campo, águas e florestas.
Os participantes do seminário reafirmam a luta:
a) Em defesa das políticas agrárias de Estado, cumprindo a Constituição Federal: a desapropriação para fins de reforma agrária das terras que não cumpram função socioambiental, a demarcação de territórios indígenas, a titulação de territórios quilombolas e o reconhecimento de terras tradicionalmente ocupadas;
b) Em defesa das políticas socioambientais, igualmente garantidas pela Constituição: direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida;
c) Pela manutenção e ampliação das unidades de conservação, garantindo direitos de povos e comunidades tradicionais;
d) Em defesa dos territórios, terra, água, sementes, bens da natureza, cultura, modos de vida e do bem viver;
e) Pela soberania alimentar, hídrica, territorial, ambiental, genética, energética e mineral;
f) Pelo direito ao trabalho decente, salário, renda, emprego, renda mínima cidadã, contra a precarização e o trabalho escravo;
g) Contra a reforma da previdência e aposentadoria, que ataca especialmente as mulheres, os assalariados e assalariadas rurais, segurados especiais e professores e professoras. Defendemos a manutenção do sistema de previdência pública de caráter solidário e o direito à aposentadoria;
h) Em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, em todos os níveis, para toda a população brasileira, destacando a importância da educação e das escolas do campo;
i) Contra o retrocesso nas políticas públicas duramente conquistadas pela classe trabalhadora e povos do campo, águas e florestas;
j) Contra a violação dos direitos humanos, a violência, a liberação da posse e porte de armas, o racismo, o machismo, a pregação de ódio e todas as formas de discriminação;
k) Em defesa do SUS, por uma saúde pública, gratuita e de qualidade;
Diante disso nos comprometemos:
a) Com a soberania popular, os territórios dos povos e os interesses da nação brasileira, nos somando ao conjunto da classe trabalhadora na defesa das empresas estatais, dos serviços públicos como um direito de todos e não mera mercadoria, e contra a submissão do governo Bolsonaro aos interesses dos EUA;
b) A denunciar a seletividade, falta de transparência e participação social no sistema de justiça, e a parcialidade de setores do poder judiciário, que resultam em violações de direitos e impunidade;
c) A construir um novo projeto para o campo, com centralidade nos sujeitos – em especial as mulheres, jovens e negros – terra e territórios, educação, soberania alimentar, cooperação e agroecologia;
d) A produzir alimentos saudáveis a preços justos para o povo brasileiro;
e) Com a conservação da natureza e contra a espoliação depredatória do agro-hidro-minero-negócio, denunciando retrocessos ambientais e resistindo a uma economia devastadora;
f) A defender companheiros, companheiras e organizações que sofrem criminalização e violência, denunciando toda injustiça em qualquer parte do país;
g) Pela liberdade do Lula, como expressão de respeito aos direitos constitucionais e democráticos de todas as pessoas.
Reafirmamos a luta unitária pela construção de uma sociedade justa, igualitária e democrática. Conclamamos o povo brasileiro a resistir e lutar, participando das próximas grandes mobilizações populares, da Greve Geral de 14 de junho e da Marcha das Margaridas em 13 e 14 de agosto.
São Paulo, 8 de junho de 2019
Assinam o documento:
Agência Pública
Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais – ADERE
Articulação do Semiárido – ASA
Articulação Nacional de Agroecologia – ANA
Articulação Nacional de Agroecologia da Amazônia
Associação Brasileira de Agroecologia – ABA
Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD
Associação Brasileira pela Reforma Agrária – ABRA
Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Central UNIcatadores
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG
Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar – CONTRAF
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais – CNPCT
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
Escola de Ativismo
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE
Fórum de Gestores do Nordeste
Fundação Friedrich Ebert – FES
Fundação Lauro Campos e Marielle Franco
Fundação Perseu Abramo
Grupo Carta de Belém – GCB
Movimento Camponês Popular – MCP
Movimento Ciência Cidadã
Movimento Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçú – MICQB
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento dos Pequenos Pescadores – MPP
Movimento de Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo – MTC
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM
Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
Movimento por Trabalho e Direitos – MTD
Slow Food Brasil
Pastoral da Juventude Rural – PJR
Projeto Brasil Popular
Terra de Direitos

União Nacional das Organizações Cooperativas Solidárias – UNICOPAS

CARTA POLÍTICA - Luta unitária pela construção de uma sociedade justa, igualitária e democrática


Fruto de um intenso processo de construção coletiva foi apresentada neste sábado (08) a Carta Política do Seminário Terra e Território: Diversidade e Lutas, realizado de 6 a 8 de junho, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema/SP.

A Carta afirma a luta unitária pela construção de uma sociedade justa, igualitária e democrática. E conclama o povo brasileiro para participar da Greve Geral de 14 de junho e da Marcha das Margaridas em 13 e 14 de agosto de 2019. Todas  as proposições e compromissos referentes às questões agrárias e ambientais foram apontados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), organizações do campo unitário e de outros espaços sociais, povos do campo, da floresta e das águas, parlamentares, partidos políticos e ambientalistas presentrs no Seminário. Entre os parlamentares, esteve no evento, o deputado federal orgânico do Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR), Carlos Veras (PT/PE), que participou e contribuiu durante os três dias do Seminário.

O Ato Oficial de leitura da Carta contou com as presenças do professor universitário, ex-prefeito da cidade de São Paulo e candidato na última eleição presidencial do Brasil, Fernando Haddad, do também candidato na última eleição presidencial, Guilherme Boulos, do presidente da CONTAG, Aristides Santos, representações das Centrais Sindicais CUT e CTB, e parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Comunista do Brasil (PC do B).

“É a partir da nossa posição pública, a partir das nossas ideias sobre os direitos que defendemos que o atual governo federal vai recuar. Então, nós, estamos aqui para dizer que estamos juntos com vocês na Greve Geral de 14 de junho e na Marcha das Margaridas”, afirmou Haddad.
       
A CONTAG, aproveitou o momento para convidar Fernando Haddad e todos(as) os(as) participantes do Seminário para somarem força na mobilização rumo à Marcha das Margaridas 2019.
 
Guilherme Boulos, pontuou no Ato que as organizações, precisam: “discutir um modelo em que não seja a sociedade que sirva a economia e que sirva o lucro de meia dúzia. Mas a economia que sirva a sociedade, que sirva as maiorias... E são as organizações do campo, as organizações de defesa do meio ambiente que têm maior legitimidade de colocar esse debate na mesa”, disse Boulos.
 
Após cumprimentar e agradecer a todos(as) presentes no Seminário, o presidente da CONTAG, Aristides Santos, enalteceu a estratégia de unidade das mais de 50 organizações presentes no debate. “Construímos aqui uma agenda e plataforma com ações conjuntas para fazermos uma luta unitária... Temos que festejar esse momento, essa unidade entre nós que vai se afirmando e se ampliando cada vez mais. Vamos continuar a nossa caminhada com a coragem aquecida e a esperança renovada”, conclamou o presidente da CONTAG.   
 
PLATAFORMA UNITÁRIA 
Além da Carta, as organizações também apresentaram uma plataforma unitária com estratégias em defesa da soberania nacional com foco no debate da posse e do uso da terra e dos bens naturais.

LEIA AQUI A CARTA POLÍTICA DO SEMINÁRIO TERRA E TERRITÓRIO: DIVERSIDADE E LUTAS 

Durante o Seminário “Terra e Território: Diversidade e Lutas”, a CONTAG lançou a Marcha das Margaridas 2019, e as publicações: Cadernos de debate da Marcha das Margaridas 2019, Cartilhas do Programa Jovem Saber e a revista Reforma Agrária: Nossa Luta Vale a Pena. Saiba mais AQUI .

FONTE: Comunicação CONTAG- Barack Fernandes

APOIE A MARCHA DAS MARGARIDAS 2019

terça-feira, 4 de junho de 2019

MARCHA DAS MARGARIDAS 2019 - Encontro Regional prepara mulheres rumo à Marcha das Margaridas 2019

Encontro Regional prepara mulheres rumo à Marcha das Margaridas 2019

O evento reúne mulheres do Sul, Sudeste e Centro-Oeste em Vitória, no Espírito Santo

Mulheres agricultoras, trabalhadoras rurais, camponesas, dirigentes sindicais, assessoras e coordenadoras de mulheres de 10 estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão participando do Encontro Regional Mulheres e Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, promovido pela Contag, que iniciou na manhã desta terça-feira (4) e segue até quinta-feira (6), em Vitória, no Espírito Santo.

O Encontro tem o objetivo de aprofundar o debate sobre o conteúdo político da Marcha das Margaridas e os impactos do atual cenário social, político e econômico, fortalecendo a 6ª edição da Marcha das Margaridas, que ocorrerá nos 13 e 14 de agosto, em Brasília, pela democracia, soberania popular, justiça, igualdade e liberdade.

Durante a abertura do evento, a secretária de Mulheres da Contag e coordenadora geral da Marcha das Margaridas 2019, Mazé Morais, lembrou que o cenário atual é desafiador, mas que o Encontro Regional busca construir e fortalecer as proposições para a Plataforma Política da Marcha das Margaridas. “Vamos colorir Brasília com as nossas cores e diferentes culturas, vamos marchar de forma consciente pela vida das mulheres, mostrando a importância da nossa luta para defender os direitos e garantir os benefícios previdenciários das mulheres e de toda classe trabalhadora”, complementou Mazé.
 
Representando o Estado de Santa Catarina, a coordenadora de Mulheres da Fetaesc, Agnes Schipanski Weiwanko, salienta que o Encontro Regional fortalecerá ainda mais as ações da Marcha das Margaridas. “O que enriquece a Marcha das Margaridas são essas ações que antecedem o grande dia da mobilização e que contribuem significativamente para a construção da Plataforma Política da Marcha. É importante levarmos a Marcha das Margaridas para o conhecimento de todas as mulheres trabalhadoras rurais, mostrando a importância dessa grandiosa mobilização. É o momento de mostrarmos a nossa organização e a importância do MSTTR, onde estamos vivendo um retrocesso e discriminação”, ressalta Agnes Weiwanko.

Durante os três dias, as mulheres vão realizar um diagnóstico participativo para conhecer a realidade existente, identificar os problemas de violência contra mulher e fazer um levantamento de dados e informações de cada região a partir do contexto social, político e econômico vivido pelas mulheres do campo, da floresta e das águas.

A programação tem o intuito de construir proposições que contribuam para a implementação da Plataforma Política da Marcha das Margaridas, baseada no diagnóstico realizado pelas participantes do Encontro Regional.

As margaridas vão assistir a palestras, discutir os eixos da Marcha, trabalhar em grupos e socializar os resultados dos debates de cada região. Dinâmicas, místicas, momentos de integração e confraternização também fazem parte do cronograma do Encontro Regional.

Também estão participando do evento a coordenadora da Microrregião Florianópolis Norte e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tijucas, Ana Paula Ramos Martinenghi; a técnica de Gênero e Geração da Fetaesc, Daniele Soares; a tesoureira do Sindicato dos Trabalhadores de Mafra, Dina Stokschineider; assessoras da Contag e representantes do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
 

FONTE: Comunicação FETAESC - Viviana Ramos

QUE REFORMA É ESSA?

O trabalhador rural e a luta pela aposentadoria em regime especial

João de Matos precisou de testemunhas para provar que trabalha na roça desde criança.
A aposentadoria aos 60 anos de uma pessoa que começou a trabalhar no campo aos sete não deveria ser difícil, tendo em vista o tempo de serviço de sobra e o fato de a aposentadoria em questão fazer parte de um regime especial, a dos trabalhadores rurais.

Pela Lei 8.213/91, a aposentadoria por idade rural exige a idade mínima de 60 anos e a comprovação de 15 anos de trabalho em atividade agrícola.

Entretanto, a comprovação do tempo de serviço na área rural nem sempre é fácil. No caso de João de Matos, trabalhador rural desde a infância, o obstáculo foi a comprovação de todo esse tempo. Caso houvesse documentação, seriam 53 anos de serviço, superando com folga o mínimo exigido.

“Quando tinha sete anos, eu levava a janta pro meu pai na roça, e depois que ele terminava de jantar já deixava uma beiradinha de terra pra eu capinar. Não podia demorar muito. Brincar era só no domingo. Era desse jeito que era a vida”, relata João de Matos, atualmente aposentado em virtude de decisão judicial.

Todo esse tempo trabalhando na roça não foi devidamente documentado. Sua chácara (onde até hoje trabalha) só passou para o seu nome após a morte do pai, em 2007. Até então, ele não tinha nenhuma comprovação documental da atividade rural desempenhada.

Para conseguir provar o tempo de serviço, João contou com a ajuda do sindicato, juntou notas fiscais, deu depoimento ao INSS e, após a decisão administrativa de indeferimento por falta de comprovação do tempo de serviço, viu seu caso chegar à Justiça.

Depoimentos sub judice ajudaram a comprovar o que todos os familiares sabiam: seu João trabalhava e sempre trabalhou no campo. Diversos casos como o dele chegam ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pondo em debate os critérios para demonstração do atendimento aos requisitos da aposentadoria.

Prova testemunhal

Em 2016, a Primeira Seção do tribunal aprovou a Súmula 577, segundo a qual é possível reconhecer o tempo de serviço rural anterior ao documento mais antigo apresentado, desde que amparado em convincente prova testemunhal colhida sob contraditório. Foi exatamente o caso de João de Matos.

Em outros julgamentos, como nas Ações Rescisórias 857 e 3.921, os ministros discutiram a produção de provas com base em testemunhos e em documentos, para o início do marco temporal da atividade rural para fins de aposentadoria.

Tal situação é a vivida atualmente pela esposa de seu João, Maria Aparecida de Matos. No processo de aposentadoria em trâmite, o problema, segundo ela, é conseguir comprovar que durante toda a sua vida de casada (mais de 30 anos) trabalhou na roça com o marido.

“O meu trabalho sempre foi aqui, mas conseguir provar isso é difícil”, comenta dona Maria ao explicar que semanalmente conversa com a advogada do sindicato para saber em que ponto está o seu processo.

Assim como ocorreu com o esposo, ela espera que seu caso possa ser solucionado tendo como amparo a Súmula 577 do STJ, já que os depoimentos de compradores, fornecedores e até mesmo de familiares são essenciais para atestar o tempo de serviço.

Carteira assinada

O trabalho formal fez parte da vida de João e Maria após uma crise na plantação de café no Espírito Santo, em 1988. O casal vivia e trabalhava em uma chácara da família no estado quando a crise chegou à lavoura.

Ambos acabaram procurando emprego de carteira assinada: João, em uma fazenda; e Maria, no hotel fazenda estabelecido na propriedade.

“Eu trabalhava no pesado, fazendo de tudo. A mesma coisa com a minha mulher”, lembra João sobre a experiência de ser empregado formal.

A comprovação do tempo de serviço na lavoura, seja mediante prova exclusivamente documental ou com apoio em testemunhos, nos termos da Súmula 577, não é importante apenas para a aposentadoria rural.

Ao analisar um caso de aposentadoria híbrida no REsp 1.367.479, o ministro Mauro Campbell Marques destacou que inúmeros segurados da Previdência Social que trabalharam no meio rural por longo tempo posteriormente buscam melhores condições de vida na área urbana. Segundo ele, ao fazer o cômputo do tempo de serviço para fins de aposentadoria, o tempo de trabalho rural não pode ser ignorado.

Segurança familiar

João conta que, aposentado, está mais tranquilo, mas não parou completamente de trabalhar. “Agora não aguento mais muita coisa, mas parado não dá pra ficar” – comenta o produtor ao supervisionar o crescimento de tomates, alface e outros hortifrutigranjeiros que cultiva em sua propriedade, na zona rural de Planaltina (GO).

Ao falar sobre a aposentadoria, João de Matos destaca a importância da proteção social para quem dedica a vida ao campo.

“Quem trabalha na roça é quem mais sofre no Brasil. O trabalhador pega sol, pega chuva, e ele está ali do mesmo jeito. Não pode mexer na previdência da área rural”, diz ele, diante das notícias sobre a reforma em discussão no Congresso Nacional.

O agricultor lembra que já de pequeno percebeu a importância da aposentadoria no meio rural, quando viu seu avô dar uma festa ao se aposentar, na década de 60. Depois viu o pai completar 60 anos e se aposentar também, em 1990, o que melhorou a qualidade de vida da família. 

Questionados sobre o futuro que enxergam para os netos, João e Maria destacam a importância do estudo, mas sem desprezar as origens.

“Eu quero que eles estudem, que tenham qualificação, mas que não esqueçam da roça”, afirma o produtor. “Espero que eles gostem um pouco. Todo mundo depende da roça, senão ninguém come nada.”

A série 30 anos, 30 histórias apresenta reportagens especiais sobre pessoas que, por diferentes razões, têm suas vidas entrelaçadas com a história de três décadas do Superior Tribunal de Justiça. Os textos são publicados nos fins de semana.
Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):AR 857AR 3921REsp 1367479Fonte: stj.jus.br